Amor e preconceito sob investigação

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Amor e preconceito sob investigação

Bianca e a namorada já estariam morando juntas há mais de seis meses

A transgênero Bianca Cunha denunciou a mãe da namorada por ter internado a filha à força em uma clínica de reabilitação. B., de 23 anos, a namorada de Bianca, também é trans. O caso aconteceu no bairro Miriambi, em São Gonçalo, no último dia 11, e foi registrado na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Niterói. Segundo a Polícia Civil, o procedimento será encaminhado para a especializada de São Gonçalo, que dará prosseguimento às investigações. O Ministério Público do Estado (MP-RJ) também acompanha o caso. 

Segundo Bianca, de 22 anos, a mãe da namorada não aceita a opção sexual da filha e, por isso, teria internado a jovem à força e a levado para uma clínica de reabilitação de Taubaté, em São Paulo, alegando que ela seria “curada”. 

“Ainda não consegui entrar em contato com B. A mãe dela, que foi a mandante da internação, não queria me falar onde ela estava. Depois de quase uma semana conseguimos descobrir, através de um post no Facebook com a foto da ambulância, que a clínica fica em Taubaté”, contou Bianca. 

Segundo ela, as duas começaram a se relacionar em 2014, mas a jovem ainda não tinha assumido a transexualidade por causa da família. Em janeiro do ano passado, as duas resolveram morar em Minas Gerais. 

“Decidimos nos mudar para outro Estado para a B. conseguir se transicionar, porque só conseguiria se fosse longe da família, que não aceitava que ela namorasse uma travesti também. Ficamos lá durante seis meses, não tivemos contato com a família dela, até que a mãe da B. nos procurou”.  

Ainda de acordo com Bianca, na época a mãe construiu uma casa no mesmo quintal para que B. voltasse para casa, o que aconteceu em março. Mas, segundo ela, as ofensas continuaram.

“Ela (a mãe) dizia que não adiantava a B. querer ser mulher, porque parecia um homem. A chamava de ridícula”.
  
Bianca disse que no dia 10 o casal anunciou que voltaria para Minas e que, no dia seguinte, ocorreu a internação compulsória. Segundo ela, a mãe de B. a chamou no portão e dois homens a agarraram para colocar na ambulância. A namorada ainda diz ter visto a jovem ser dopada e ter as roupas trocadas pela mãe por peças masculinas.  

“Dois homens estavam colocando B. em uma ambulância. Eu disse que não poderiam fazer isso porque não tinha laudo médico, mas a mãe dizia que ela estava doente da cabeça e ia voltar como um homem renovado”,  falou Bianca, que disse, ainda, que os homens a ameaçaram.  

De acordo com o MP-RJ, Bianca foi recebida no dia 15 pela Assessoria de Direitos Humanos e Minorias. “O fato narrado por ela foi encaminhado para a 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal, que já se manifestou pela imediata instauração de inquérito policial na 74ª DP (Alcântara), para que o caso seja registrado e apurado”, informou o MP-RJ.
 
O Conselho Municipal LGBT de Niterói também está acompanhando o caso. Segundo a presidente da entidade, Bruna Benevides, por causa da grande quantidade de transexuais que trabalhavam com prostituição e sofriam abusos e agressões, o conselho dialogou com a Deam de Niterói firmando parceria para que casos envolvendo transexuais fossem registrados na unidade. 

“Levei Bianca na Deam junto a um advogado parceiro para garantir um atendimento humanitário, como foi”, declarou. A mãe de B. não foi encontrada para se pronunciar sobre o caso. 

Fonte: http://www.ofluminense.com.br