Arte cubana no Rio

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Arte cubana no Rio

Intervenção da exposição “Objeto Vital”

Obra “Robótica”, presente na exposição

Após a queda da União Soviética, em 1991, uma pequena ilha localizada no mar do Caribe enfrentou a mais grave crise econômica de sua história recente. Em um curto perído, Cuba reduziu em mais de 50% as importações, teve uma queda bruta no PIB, viu sua moeda desvalorizada e passou por um retrocesso na qualidade de vida alcançada com a Revolução. Neste contexto histórico, em 1992, nascia em Havana o coletivo Los Carpinteros, composto inicialmente por Marco Castillo, Dagoberto Rodriguez e Alexandre Arrechea, que deixou o grupo em 2003.

Após grande sucesso em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, Marco e Dagoberto estream, hoje, no CCBB, às 9h, a exposição “Objeto Vital”, que promove uma reflexão a cerca de diferentes questões sociais a partir do diálago entre esculturas, aquarelas e instalações infuenciadas pela arquitetura e pelo design.

Com curadoria de Rodolfo de Athayde, a mostra, apresentada em três segmentos bem equilibrados – Objeto de Ofício, Objeto Possuído e Espaço-objeto –, possui 70 obras, incluindo algumas feitas especialmente para a exposição, que permitem conhecer diferentes fases de produção de Los Carpinteros ao longo de sua trajetória artística, como uma documentação de sua vida, sempre marcada  por um viés social. 

“Nós tivemos uma educação marxista, com uma preocupação social muito grande, e, por isso, até pensávamos em ser professores de Educação Artística. Nossa missão era outra e não vender arte. Por isso, é algo muito natural para nós retratar a realidade e promover debates de cunho social”, comenta Dagoberto, que destaca, ainda, a surpresa  que é, hoje em dia, ter  obras do coletivo expostas em grandes galerias no mundo, como o MoMA e o Guggenheim, em Nova York, o Museum of Contemporary Art, em Los Angeles, e nas sedes do CCBB em vários estados brasileiros.

No primeiro segmento da mostra, que retrata o início do coletivo, está muito presente a utilização da madeira, o único material disponível para trabalho na época, e da aquarela para retratar o cotidiano e as vivências dos amigos que graduaram no Instituto Superior de Arte de Havana. Já em Objeto Possuído, segundo segmento, quando fica visível a representatividade da dupla, as obras falam de questões existenciais universais, que são materializadas – antes, eram apenas um esboço no papel. 

Também nesta sessão estão obras vinculadas à música, como um vídeo do carnaval cubano (exibido de trás para frente) em que os moradores tocam  conga – rítmo dançante que nasceu nas ruas da ilha caribenha. No último segmento, a arquitetura e às estruturas ganham destaque  em esculturas e ilustrações feitas de lego. 

Marco Castillo e Dagoberto Rodriguez formam o coletivo Los Carpinteros

“Tudo na arquitetura comunica e isto é fascinante para nós. A maneira com a qual você constrói um objeto e sua utilidade já possue informações políticas implícitas, que falam sobre um grupo social. Qualquer coisa pode ser um motivo arquitetônico e, neste projeto, o mais ambicioso, convertemos até uma janela em uma possibilidade conceitual”, explica Marco. Isto pode ser observado nas peças “Focsa”, em que um gaveteiro foi transformado em um prédio e “Casa-Pinza”, que utiliza o formato de um alicate como base para uma casa em uma planta.

Em “Objeto Vital” os artistas cubanos não só utilizam a situação social e política de Cuba, principalmente da década de 90, como pano de fundo, mas também questões sociais de cunho internacional, como desigualdade e consumismo. Algumas delas, inclusive, se relacionam com o Brasil, o qual possuem um contato que vai além da profissional. 

“Conhecemos o Brasil, que tem um peso significativo na cena política latino-americana, a partir do trabalho em uma galeria. Sua arquitetura e arte foram muito importantes em nossa formação como artistas. No entanto, é enorme o número de artistas que não tratam muito de questões sociais e políticas, como se não vivessem aqui”, confessa Dagoberto,que considera o País muito parecido com Cuba, por terem ambos a mesma composição racial e problemas sociais. 

O Teatro Municipal de Niterói fica na Rua XV de Novembro 35, no Centro de Niterói. Amanhã, às 19h. Preço: de R$ 40 (inteira) .Censura: 14 anos. Tel: 2620-1624.

Fonte: http://www.ofluminense.com.br