Caminhar é preciso

mg6931-165664
Caminhar é preciso

Os aposentados Eduardo Long e Walter Pinho são adeptos das caminhadas diárias no calçadão

A atividade física em qualquer fase da vida é de extrema importância, mas ela merece uma atenção ainda maior na terceira idade. É nesse período que começam a aparecer algumas complicações e mudanças no organismo do indivíduo.

Sabendo disso, não se pode deixar passar despercebida a preocupação com a saúde, e a prevenção é a melhor maneira de evitar e retardar esses acontecimentos corriqueiros da idade, tais como declínio de massa muscular, fragilidade no sistema ósseo e queda da capacidade aeróbica, na flexibilidade, agilidade e coordenação.  

Uma poderosa aliada das pessoas na terceira idade é a caminhada. Além de prevenir e combater doenças, a prática também contribui para a redução da pressão sanguínea, a melhora dos níveis de colesterol e o combate à osteoporose. Outros benefícios são vistos na melhora da autoestima e no combate à depressão, já que a atividade aumenta a produção da serotonina, que traz a sensação de bem-estar.

Com tantas dificuldades, é compreensível que o idoso sinta-se resistente à ideia de praticar algum exercício físico, já que este será associado à dificuldade de sua prática e às dores sentidas durante a atividade. E são exatamente estes problemas que serão combatidos com a caminhada. 

Exemplo de quem aderiu à prática, o aposentado Eduardo Long caminha há 18 anos, todos os dias, no calçadão da Praia de Icaraí. 

“Tenho 73 anos e estou aposentado. Caminhar todos os dias é uma forma de fazer exercício e me manter bem sem muito sacrifício, porque eu não gosto de atividade que me sacrifique. Já estou caminhando há muito tempo. Agora, além de caminhar, estou fazendo pilates. Fazer as atividades foram escolhas minhas, venho de segunda a sexta-feira. Nos dias que não venho, não me sinto tão bem, sinto falta, já que me habituei com a caminhada”, admite Eduardo.  

Walter Pinho, de 67 anos, também aposentado, é o companheiro de caminhada de Eduardo. 

“Caminho desde 1999 e faço musculação duas vezes por semana, caminhada diária de segunda a sexta, numa base de 8,5 km. É uma maneira de eu vencer os meus problemas da idade, porque sempre tem os problemas de coluna, mas a gente vai vencendo esses obstáculos. Me sinto mais agradável durante o dia depois da caminhada, melhora tudo. Ela traz muitos benefícios”, admite Walter.

O acompanhamento do especialista é muito importante em qualquer iniciativa de exercício físico, ainda mais nessa fase da vida. Cada paciente tem que ser avaliado de acordo com seu histórico e é o médico quem vai definir o melhor exercício físico para ele. 

A cardiologista Valdenia Pereira Souza aponta alguns dos benefícios da caminhada na vida do idoso, que é o público mais presente no seu consultório. 

“Gosto de recomendar a atividade física que o paciente mais gosta. É certo que, depois de três meses naquela atividade, você vai começar a ter a liberação das substâncias que dão prazer e vai passar a gostar daquela atividade, mas, se nos primeiros três meses for algo com o qual você não tenha o mínimo de empatia, você não vai conseguir. Costumo falar assim: ‘Procure aquela atividade física que, em algum momento na sua vida teve alguma afinidade’”, pondera a médica.

A caminhada na terceira idade é muito indicada por ser um exercício bastante prático, além disso, sem custo algum. Outra grande vantagem da atividade é que ela pode ser feita em qualquer lugar, seja nas ruas, na praia ou até mesmo nos parques. 

“A atividade física é boa para tudo, melhora o cognitivo e, com isso, diminui o grau de progressão de uma doença degenerativa neurológica, a própria depressão, osteoporose, osteopenia, sem contar as questões cardiovasculares, a prevenção do AVC, a melhora do equilíbrio, o que é importante para evitar e reduzir o risco de quedas, auxiliar na prevenção da obesidade e, consequentemente, reduzir a incidência de doenças cardíacas, de dores articulares e aumentar a sensação de prazer e bem-estar, assim como a prevenção das doenças crônico-degenerativas como a osteoporose, artrite e artrose”, conclui Valdenia.

Fonte: http://www.ofluminense.com.br