Ficção x realidade: Jogos de poder

autor-juca-serrado-no-lanC3A7amento-163796
Ficção x realidade: Jogos de poder

O escritor Juca Serrado

“De manhã, quando sento para escrever, não sei muito o que vai sair. As coisas fluem naturalmente. Às vezes, estou seguindo um caminho e, de repente, surge um outro rumo. A partir de uma imersão em pesquisas, crio subsídios para escrever sobre o tema. É um trabalho árduo, mas eu me divirto muito quando estou escrevendo”, relata o escritor carioca Juca Serrado – que acaba de lançar o livro “O Turco”, da Editora Itapuca, de Niterói –, sobre o processo de produção de sua obra.

O primeiro romance do escritor, cujo nome faz referência às pessoas que vinham da região árabe e recebiam o apelido de “turcos”, retrata a trajetória de dois personagens, Carlos e Susan, que pertencem a épocas, gerações e culturas diferentes e vivem uma história de amor que cresce ao longo da trama. Há também um vilão na narrativa, Muni, inspirado no resultado de várias personalidades misturadas. A partir destes personagens, com um toque de romance, aventura e suspense, são abordados os bastidores do poder, a história do bem contra o mal.

“Evidentemente o leitor pode pensar: ‘então esse personagem aqui é fulano’. É, pode ser”, ri Juca. “Quero deixar a favor da imaginação do leitor. Misturei ficção com realidade, relacionando coisas que aconteceram no Brasil e no mundo, criando um registro de acontecimentos que não deveriam ficar impunes. Essas histórias se encontram em um ponto futuro ao fim do livro”, completa.

Juca Serrado, em seus 59 anos, relembra que sempre gostou de ler, desde os tempos de escola, em que conheceu obras de Monteiro Lobato e Graciliano Ramos. Hoje é fascinado por suspense e já leu toda a coleção da escritora britânica Agatha Christie. Para ele, mesmo livros com assuntos mais pesados podem entreter e divertir. Nas 460 páginas de “O Turco” não foi diferente.

“A leitura tem que ser uma diversão, um atrativo, independentemente do tema. Minha tia leu o meu livro em dois dias e se divertiu bastante. Tem mistério, assassinato, trama, perseguições, aquela coisa do thriller”, comenta. 

A obra, que começa na Arábia Saudita, em 1938, passa por Paris nos anos 50 e 60 e depois vai para os Estados Unidos nos anos 70, exigiu um trabalho de imersão muito grande na história para dar veracidade a ela. Juca estudou o comportamento das pessoas desses períodos, vestuário, culinária e hábitos. 

A obra, que começa na Arábia Saudita, em 1938, passa por Paris nos anos 50 e 60 e depois vai para os Estados Unidos nos anos 70

“A narrativa passa por momentos históricos distintos que exigiram muita pesquisa. Foi trabalhoso, mas muito interessante, porque gosto muito de história. Foram nove meses para fazer esse filho nascer”, revela. 

Ao tratar de temas delicados como corrupção e jogos de poder, que estão sendo muito discutidos atualmente, o escritor espera deixar uma mensagem otimista aos brasileiros. 

“É um tema muito rico. O que não falta é material. Espero passar uma mensagem sobre o contexto atual do País. Agora, mais do que nunca, precisamos entender que sempre tem um poder maior por trás que controla as coisas. Mas o bem tem que prevalecer, mesmo sendo difícil”, explica. 

“O Turco”, de Juca Serrado, pode ser encontrado na Livraria Argumento, na Amazon e na própria Editora Itapuca. 

Fonte: http://www.ofluminense.com.br