JBS: Wesley não fala em CPI

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JBS: Wesley não fala em CPI

Presidente da Comissão, senador Ataídes Oliveira, alertou empresário sobre rescisão do acordo de colaboração

Durou pouco mais de duas horas a reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS marcada para ouvir Wesley Batista, um dos donos da empresa. Mesmo pressionado por senadores e deputados, orientado por advogados, Wesley não respondeu a qualquer pergunta, resguardado pelo direito constitucional de ficar em silêncio. A mesma conduta foi adotada pelo ex-executivo da empresa Ricardo Saud, na semana passada.

Apesar de não ter respondido a perguntas, Wesley Batista fez uma declaração aos parlamentares. Ele disse que se tornar um colaborador não é uma decisão fácil; é solitário, dá medo e causa muita apreensão.

“O que vejo, nesse momento que estamos vivendo no país, são colaboradores sendo punidos, perseguidos pelas verdades que disseram. As delações dos últimos anos fizeram o país se olhar no espelho, mas, como ele não gostou do que viu, o resultado tem sido esse: colaboradores presos e delatados soltos”, afirmou.

Diante da negativa de executivos da JBS em prestar esclarecimentos à CPMI, o presidente da comissão, senador Atáides Oliveira (PSDB -TO), adiantou que uma das recomendações que serão feitas ao final dos trabalhos é a rescisão do acordo de colaboração premiada dos irmãos Batista e de Ricardo Saud com o Ministério Público Federal.

“Essa colaboração desastrosa dos irmãos Batista só aconteceu porque teve um maestro, um cérebro maior que foi ex-procurador [da República] Marcelo Miller”, acrescentou Oliveira, destacando que também vai solicitar que o pedido de prisão dele também seja revisto.

Marcelo Miller, que teve um pedido de prisão negado pelo relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, é o pivô da investigação que pode culminar com a rescisão da delação da JBS. Após deixar o MPF, ele passou a integrar o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, e fez parte do time de advogados que negociaram o acordo de leniência da J&F, controlador da JBS. 

Fonte: http://www.ofluminense.com.br