Jonas Lopes diz que esquema de propinas ocorria desde 2000

Jonas Lopes diz que esquema de propinas ocorria desde 2000

O ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), Jonas Lopes Júnior, afirmou ontem que o esquema de pagamento de propina a conselheiros do tribunal ocorria pelo menos desde 2000, quando ele tomou posse na entidade. Ele foi ouvido ontem, na condição de colaborador, pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, que reúne os casos da Lava Jato no Rio.

Jonas Lopes Júnior foi ouvido no processo da Operação Ratatouille, desdobramento da Lava Jato que investiga o pagamento de propina aos conselheiros do TCE por empresas fornecedoras de alimentos ao governo do estado, principalmente para escolas, hospitais e presídios.

Ele lembrou que foi conduzido coercitivamente pela Polícia Federal, no âmbito da Lava Jato, no dia 13 de dezembro do ano passado e que decidiu colaborar com o Ministério Público Federal (MPF). Por causa disso, em 29 de março deste ano, com exceção de uma conselheira, todos os conselheiros do TCE foram presos.

“Assumi o tribunal em 2000. Chegando lá, já encontrei essa prática. Levei de três a cinco meses relutando. Fui muito pressionado e acabei cedendo, acabei participando desses atos indevidos. Assumi a presidência em 2011. Havia repasses mensais ao Tribunal de Contas, repasses ilícitos, por empresas, pelo governo, e isso era repartido entre os conselheiros, nos quais eu me incluía. Repasses em espécie [dinheiro]. Segundo eu soube, isso já existia antes”, afirmou.

Jonas Lopes Júnior disse que, para viabilizar pagamentos atrasados do governo a empresas de alimentação, decidiu usar de dinheiro que o TCE tinha em um fundo. Mas, para isso, os conselheiros exigiram receber propina.  De acordo com Jonas Lopes Júnior, foram pagos foram pagos cerca de R$ 6 milhões para os conselheiros envolvidos.

Jonas Lopes disse que, para constituir o fundo do tribunal, procurou o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani, e relatou ao deputado a ideia, inclusive o fato de que os conselheiros queriam ter ganhos ilícitos. Segundo Jonas Lopes, ao ouvir isso, Picciani disse não lhe interessava.

O presidente da Alerj divulgou nota chamando Lopes de “bandido confesso” e negando ter ouvido que haveria interesses ilícitos na proposta de criação do fundo. “Foi Picciani quem, em 2009, abriu a CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] do TCE, em que os principais acusados eram justamente Jonas Lopes e os conselheiros José Gomes Graciosa e José Nader. Eles passaram seis anos respondendo à Justiça pelas acusações apuradas na CPI, mas acabaram absolvidos pelo STJ [Superior Tribunal de Justiça] ”, destacou Picciani, em nota. 

Fonte: http://www.ofluminense.com.br