Lembrando uma estrela

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Lembrando uma estrela

Marcos Sacramento e Luiz Flavio Alcofra fazem show de lançamento do álbum “Aracy de almeida – A rainha dos parangolés”

De sexta-feira (02) até domingo, o Teatro da UFF recebe o show de lançamento do CD  “Aracy de Almeida – A rainha dos parangolés”, com o cantor Marcos Sacramento e o violonista Luiz Flavio Alcofra. O musical foi criado em 2014 por Hermínio

Bello de Carvalho para homenagear o centenário da cantora. Em junho deste ano, completam-se 30 anos sem Aracy de Almeida, e o espetáculo acaba de virar disco pela Acari Records.

As dez faixas, que reúnem 18 músicas, foram gravadas no Estúdio Rafael Rabello, onde o álbum foi lançado em dezembro do ano passado.

“É uma alegria atender ao chamado do amigo Hermínio e nos juntar a essa dupla querida para homenagear a grande figura que foi Aracy”, diz a cavaquinista, sócia da gravadora e presidente da casa que preserva a memória do choro carioca, Luciana Rabello.

O disco traz sucessos, como “O orvalho vem caindo” (Noel Rosa e Kid Pepe), “Camisa Amarela” (Ari Barroso), “Quando tu passas por mim” (Antonio Maria e Vinicius de Moraes), “Filosofia” e “São coisas nossas” (ambas do Noel), “Onde está a honestidade” (Noel Rosa e Francisco Alves), e “Ganha-se pouco mas é divertido” (Wilson Batista), todas atuais.

Marcos Sacramento e Luiz Flavio Alcofra foram minuciosamente dirigidos por Hermínio, que também fez o roteiro. Os arranjos foram coletivos, puxados pelas mãos certeiras do violonista.

“Sacramento é um grande amigo e um cantor fantástico. Esse é o nosso primeiro disco”, salienta Alcofra.

Para o show, além das músicas que estão na bolacha, a dupla interpreta “Se eu morresse amanhã” (Antonio Maria), “Caco Velho” (Ari Barroso) e “Tudo Foi Surpresa” (Valzinho e Peterpan).

Hermínio Bello de Carvalho gravou uma longa entrevista com Aracy de Almeida em 1987, quando apresentava um programa semanal na TVE, hoje TV Brasil. Trechos desse especial compõem o roteiro e são exibidos durante o espetáculo. O repertório, assim como o roteiro e a direção, ficou a cargo de Hermínio, que, a partir da escolha das músicas, criou blocos temáticos para o show.

“Ele faz isso como ninguém, e se baseou numa escolha não óbvia, mostrando facetas variadas do universo de Aracy”, enfatiza Marcos.

Hermínio sentiu-se realizado quando viu sua homenagem decolar.

“Era uma dívida que contraí comigo mesmo, a de não deixar que o tempo apagasse a importância de Aracy no panorama cultural do País – e não somente como excepcional intérprete, mas também como uma personalidade que poderia ser igualada a seus amigos Di Cavalcanti, Antonio Maria, Noel Rosa, Custódio Mesquita e Valzinho, por exemplo, e tantos outros que moldaram a nossa cultura com os seus contornos mais vanguardistas. Seja com pincéis, goivas, máquinas de escrever ou, no caso da Aracy, com aquelas cordas vocais encorpadas num timbre raríssimo que logo chamou a atenção de Mário de Andrade e tantos outros”, relata.

A parceria entre Marcos, Luiz Flavio e Hermínio surgiu pelo desejo e admiração comuns pela artista brasileira que, em 2014, comemorou o centenário de nascimento.

“Hermínio é um velho amigo e uma grande influência para nós dois. Foi parceiro do Luiz Flávio na Escola Portátil de Música (EPM) e na Casa do Choro”, conta Marcos.

“Trabalho com o Marcos desde 2000, ou seja, 18 anos de parceria. O Hermínio, conheço faz muito tempo, também. O convite partiu dele, o que pra nós foi uma grande honra”, diz Flavio, que frisa que é importante lembrar os grandes nomes, intérpretes, instrumentistas e compositores da nossa música, para preservação da nossa cultura e da nossa memória.

No caso da Aracy, que nos últimos anos de vida ficou muito conhecida e estigmatizada como jurada de programa de auditório, mais ainda.

“A importância desse trabalho está na oportunidade que ele nos oferece em trazer para as novas gerações que nunca ouviram falar no nome de Aracy de Almeida um pouco de sua história. No show, inclusive, há projeções de vídeos em que a vemos em imagens deliciosas e muito ilustrativas de sua personalidade numa conversa com Hermínio”, finaliza Marcos.
O Teatro da UFF fica na Rua Miguel de Frias, 9 – Icaraí – Niterói. Sexta (2), sábado (3) e domingo (4), às 20h. Entrada R$ 40 (inteira). Classificação: livre. Telefone: (21) 3674-7515.

 

 

Fonte: http://www.ofluminense.com.br