Música clássica dá o tom na Grota do Surucucu

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Música clássica dá o tom na Grota do Surucucu

Cerca de 40 alunos estiveram presentes neste sábado para o primeiro ensaio geral da comunidade

Nada de praia, churrasco ou piscina. O que os jovens da Orquestra de Cordas da Grota do Surucucu querem num final de semana de sol é a música clássica. Neste último sábado (02), por volta das 14h, mais de 40 alunos estavam presentes para um ensaio no Espaço Cultural da Grota, em São Francisco, Zona Sul de Niterói.

Todos a postos com seus instrumentos. Ao longo do ano, eles terão mais encontros, um a cada mês, para que todos fiquem ainda mais afinados para uma apresentação de fim de ano, ainda sem data e local para acontecer. “Temos mais de 40 alunos neste ensaio de hoje (sábado). São três orquestras com mais de 15 alunos cada uma. A casa está cheia e isso mostra que eles se sentem à vontade aqui”, afirma Lenora Mendes, uma das fundadoras do Projeto, que funciona há mais de 20 anos. 

No Espaço, a garotada participa de turmas de iniciação musical, aperfeiçoamento nos instrumentos, teoria musical. Há também aulas de inglês, informática e o projeto de educação complementar, legado deixado pela Dona Otávia Paes Selles, sogra de Lenora, que na década de 80 lecionava para crianças e jovens com dificuldades de aprendizado numa pequena casa da região. 

Na época, Dona Otávia fez um convite à nora e ao filho, o maestro Márcio Selles, para que eles desenvolvessem atividades artísticas com seus alunos. Eles aceitaram e a iniciativa passou a ganhar fôlego, dando origem ao Projeto, que acolhe hoje mais de 300 crianças e jovens da comunidade da Grota do Surucucu. 

Ex-aluna e agora professora do Espaço, Raquel Terra explica que no projeto há espaço para experimentações musicais, como a mistura de música erudita com funk. Ela critica quem acha que jovem de comunidade só gosta de funk. “Chegar na favela e ficar surpreso porque tem música de qualidade, música erudita, mostra que as pessoas ainda têm um pensamento muito clichê de que o jovem de comunidade só gosta de funk. O que o Espaço da Grota oferece é uma oportunidade de ensino democrática. Infelizmente há pouca oferta como estas dentro de uma favela. Poderia ter mais porque eles se interessam muito por novos aprendizados. Os jovens aprendem, mas também se socializam, se divertem”, comenta.

Fonte: http://www.ofluminense.com.br