Na sinfonia do rock

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Na sinfonia do rock

Criada em 1969, banda recebeu Annie Haslam, aos 26 anos, nos vocais em 1971. Após hiato de 15 anos, retomaram em 2009

Aos seis anos, uma garotinha nascida em Bolton, na Inglaterra, foi expulsa do coral da escola porque “cantava muito alto”. Quinze anos depois, ela começou a se apresentar em shows de talento (e ganhá-los).

Certa vez, foi surpreendida por seu irmão Michael e a cunhada, ambos músicos, cantando o tema da série britânica “The Saint” (1962-1969), estrelada por Roger Moore. Aconselharam-na a procurar o cantor Harold Miller para trabalhar seu timbre, e ele, por sua vez, a levou até Sybil Knight, uma cantora lírica que a ajudou a encontrar sua própria voz e expandi-la. Após seis meses se apresentando com uma banda de cabaré, no dia 31 de dezembro de 1970, Annie fez uma audição para integrar uma banda de pop que nunca ouvira antes. Era a Renaissance. No dia seguinte, a menina que deixou o coral por cantar alto, Annie Haslam, aos 26 anos, com sua voz de cinco oitavas, se tornou a vocalista do grupo que, hoje, tem quase 50 anos de estrada. 

Renaissance nasceu em 1969 com os ex-membros da banda The Yardbirds, Paul Samwell-Smith, Keith Relf e Jim McCarty, acompanhados de Louis Cenammo, John Hawken e da vocalista Jane Relf (irmã de Keith), mas, logo se dissolveu até sua formação mais popular com Annie Haslam no vocal, Michael Dunford no violão, Terry Sullivan na bateria, John Tout no piano e Jon Camp no baixo e vocal. Pela primeira vez no País, Renaissance, em sua formação atual composta por Annie, Rave Tesar (teclados), Tom Brislin (teclados e voz), Mark Lambert (guitarra e vocais), Frank Pagano (bateria, percussão e vocais) e Leo Traversa (baixo e vocais), pela primeira vez no Brasil, apresenta a turnê “Songs For All Our Times” em Niterói, no Teatro Municipal, no dia 24, às 20h.
 
“Mil novessentos e setenta e um: essa é a banda que levou Renaissance a outro nível musical. Só tínhamos quatro músicos no palco e conseguimos soar grandes como soamos. Foi quando lançamos o single ‘Northern Lights’, que foi um hit. Foram anos incríveis!’ relembra, Annie: “Agora, temos keyboards, computadores e iPads, que utilizamos no palco e cinco pessoas que cantam e deixam os vocais enormes”, explica entusiasmada.  

Desde essa época, o grupo é conhecido por ser um dos mais importantes de rock progressivo, mas a vocalista e o músico e grande amigo Michael Dunford – que faleceu em novembro de 2012 após sofrer uma hemorragia cerebral – pensavam diferente.

A vocalista Annie Haslam

“Michael e eu não gostávamos do termo ‘rock progressivo’ porque este é um som mais pesado do que o que nós fizemos. Nos definíamos como uma banda de ‘rock sinfônica’, que é mais melódica, lírica, e combina com o Renaissance”, argumenta Annie. 

Em toda sua trajetória, Renaissance carrega em seus 30 discos lançados – alguns considerados até os melhores da história do rock – grandes sucessos como  “Mother Russia” (1974), “Carpet of the Sun” (1973), “Can You Understand?” (1973), “Northern Lights” (1978), “Let It Grow” (1973) e “A Song for All Seasons” (1978),  que também serão apresentadas neste show. 

Mesmo com a legião de fãs que a banda carrega desde o princípio e o som melódico e único, ela passou por algumas pausas – uma delas bem significativa, em 1987, devido a pressão de gravadoras que levaram o grupo a se distanciar de suas raízes.

“Fomos pressionados a pensar e cantar comercialmente e cometemos alguns erros. Fizemos um álbum que não funcionou bem e decepcionamos nossos amados fãs. Então, decidimos nos separar em 87 e trabalhei solo nos 15 anos seguintes”, revela Annie. 

Com sua banda solo, Haslam chegou a se apresentar em 1999 no Rio e em São Paulo e em 2001 ao lado de Flavio Venturini, no ATL Hall, em Belo Horizonte, com a participação especial do músico mineiro Marcus Vianna. Nesse período, ela descobriu outro talento: a pintura. Em 2002, os companheiros de banda se reuniram temporariamente para gravar o álbum “Tuscany” e fazer uma pequena turnê no Japão, mas somente em 2008, após uma ligação de Michael e a volta de Jon Sher como empresário da banda, retomaram as atividades com a nova formação que fez uma tour comemorando os 40 anos de Renaissance em 2009.  

“Mick sempre me ligava querendo voltar com a banda, mas eu estava pintando e não queria mais. Até que em 2008, eu disse a ele que só voltaria se o nosso antigo empresário voltasse. Para minha surpresa, Jon Sher aceitou e tentamos voltar com os membros originais. Não deu certo porque eu estava morando nos Estados Unidos e eles na Inglaterra.

Meio que levamos a banda para outra direção, mas se não fossem os membros originais nós não estaríamos aqui. Somos muito gratos a eles”, revela a artista que espera voltar ao estúdio no ano que vem.

Annie, que ama o Brasil e esteve diversas vezes em Niterói, completa entusiasmada que todos estão muito animados para a turnê e, emocionada, conta que se apresentar com a banda em solo brasileiro era também um desejo de Michael.

“Não conseguimos vir ao Brasil enquando ele estava vivo. Ele era a luz que me guiava. Suas melodias eram fantásticas, expressivas. Quando ele se foi, nós tínhamos acabado de produzir um álbum por meio de crowdfunding. Seria um crime não tocá-lo para o fãs”, conta saudosa. 

Durante a turnê “Songs For All Our Times”, o público poderá adquirir camisas e CDs do Renaissance por meio de dinheiro em espécie, frisa a simpática Haslam, antes de expressar sua ansiedade para o show: “Só falta uma semana”, e respira fundo antes de brincar: “É melhor começarmos a ensaiar logo”. 

O Teatro Municipal de Niterói fica na Rua Quinze de novembro, 35, no Centro. Dia 24, às 20h. Preço: de R$ 220 (inteira, setor vermelho) a R$ 320 (inteira, setor verde). Censura: livre. Telefone: 2620-1624. 

Fonte: http://www.ofluminense.com.br