Niterói Biathlon Cup movimenta o domingo pela manhã dos niteroienses

Niterói Biathlon Cup movimenta o domingo pela manhã dos niteroienses

Primeira edição da competição, que teve percurso áquatico e no solo, aconteceu aos pés do Museu de Arte Comtemporânea (MAC) e teve a participação de 160 atletas

Aos pés do Museu de Arte Contemporânea (MAC), 160 atletas partiram para os 600 metros de natação e os 4km de corrida, na primeira edição do Niterói Biathlon Cup. Com largada às 9 horas, os atletas pularam n’água sob a ponte da Igrejinha da Boa Viagem para as duas voltas de 300 metros cada.

Nas categorias individual (masculino e feminino) e no revezamento (masculino, feminino e misto), os competidores foram deixando um a um a areia em direção ao asfalto. Quem seguia no individual, apenas tinha o trabalho de pôr o tenis e seguir para os quatro quilômetros. Já os competidores do revezamento, faziam a transição da pulseira e seguiam pela orla do Gragoatá, até perto da concessionária de energia, Ampla e voltavam até o ponto de chegada, na Boa Viagem.

Um pouco antes, a festa começou para as 90 crianças que participaram da “competição” correndo uma pequena parte do traçado da corrida. As menores, corriam os 100 metros, divididas em vários grupos, mas, se divertiam a cada chegada, como se tivessem vencido uma maratona. O pódio era o momento mais animado, pois todos subiam no lugar mais alto.

Já os adolescentes, tiveram um pouco mais de trabalho na hora da corrida. Os competidores correram 800 metros, sendo 400 na ida e a mesma quantidade na volta.

Mas, a elite largou sob um mormaço, que ajudou na hora da prova. Sandra Soldan, uma das três melhores triatletas brasileiras da história e com duas participações olímpicas, foi a sensação da prova. Com um tempo de 24m57s, a triatleta venceu na categoria feminina, deixando Suely Baronto, em segundo com 26m33s e Karen Krichanc, em terceiro com 26m48s. Para Sandra, competições como essa são boas para os mais jovens aprenderem a respeitar o competidor.

“O importante é ter disciplina para ser exemplo. Desde cedo a criança precisa ter essa disciplina e aprender a respeitar. Se ela quer ser um atleta olímpico, tem que buscar esse espírito respeitador”, disse Sandra, que aproveitou para criticar a falta de respeito com os próprios triatletas de Niterói, que sofrem para poder treinar o ciclismo: “A falta de respeito é um grande problema, principalmente com a gente que treina o ciclismo ali em São Francisco. Temos uma área reservada, mas é pequena e acabamos sofrendo com a falta de respeito dos motoristas”, frisou.

Sandra, que atualmente é médica e responsável por controle nos exames antidoping pela Agência Brasileira de Combate ao Doping (ABCD), afirmou que o tempo da prova de hoje poderia ter sido melhor, mas ressalta o pouco tempo para treinar.

“Domingo competi, e atualmente trabalho na ABCD, faço curso no Fundão, então treino apenas nos intervalos. Claro que poderia ter sido melhor, mas o importante foi ter participado e visto essa bela festa”, disse.

Empolgado com a realização do evento, Carlos Eugênio Ferraro, o Neném, comemorou a aceitação do público e o grande número de inscritos.

“Superou nossas expectativas e 40% dos participantes se inscreveram na última semana. Hoje pela manhã estávamos super preocupados, já que tinha chovido, mas amanheceu com um clima agradável. Nossa maior preocupação foi a maré. Quando chegamos a maré estava alta e não tinha faixa de areia, mas ela abaixou e tudo deu certo”, comentou, só lamentando o fato de ter faltado medalhas aos participantes: “Nós mandamos fazer as medalhas em Curitiba, mas dez dias antes tínhamos apenas 70 inscritos e mandamos fazer 120, mas superou nossas expectativas e ultrapassou os 200. Mas, os competidores não precisam se preocupar, as medalhas serão entregues e vamos avisá-los como proceder para pegar”, comentou Neném.

Segundo Carlos Eugênio, a ideia é fazer o atleta ficar em Niterói para praticar o esporte e tentar transformar a cidade em um pólo esportivo.
“Nossa ideia é transformar Niterói em um local de se praticar esporte. Não quero ver os atletas indo para o Rio para praticar corrida. O Biathlon é uma nova ideia, pois o ciclismo é difícil de se achar lugar para fazer e fica longe do público. Então, foi uma boa ideia e que deu certo e caiu no gosto. A participação das crianças foi maravilhoso e isso é bom para criar essa prática de esporte neles”, comentou.

Projeto social mostra força

Cerca de 20 alunos do Instituto Fernanda Keller, de Niterói, participaram da prova em Boa Viagem e no Gragoatá. A professora do projeto, Nathália Marques, de 24 anos, falou sobre a motivação para os alunos que participam de provas como o NIterói Biathlon Cup.

“Motiva os alunos. Eles podem ver que o treino está dando resultado. E, treinar conosco e participar de competições é uma forma de desviar esses garotos das drogas, já que muitos vêm de comunidades carentes e acabam tendo menos oportunidade”, disse Nathália.

O Instituto Fernanda Keller recebe crianças a partir dos 7 anos de idade e a base fica em Charitas, onde ocorrem as aulas de natação, corrida e ciclismo. Douglas Andrade dos Santos, de 15 anos e aluno do 8º ano do colégio Maria Pereira das Neves, competiu na prova individual e comentou o resultado obtido.

“Nadei e corri e estou satisfeito com meu tempo e vejo que o treinamento vem dando certo. Não achei a prova longa não, gostei”, comentou ressaltando que entrou no projeto por causa de amigos que já faziam parte.

Para participar, basta estar matriculado, seja na rede pública ou privada e ter um atestado médico comprovando ter condições físicas para praticar esporte.

Dificuldade dos atletas amadores

Ao invés de apenas trabalhar e entrevistar os competidores, este repórter que escreve esta matéria, ainda com dor na panturrilha e a perna trêmula, resolveu se arriscar e participar da prova na categoria revezamento misto, ao lado da nadadora Camila Freitas. Primeira vez de ambos, a prova se mostrou um pouco mais complicada do que esperávamos. Camila estava preocupada com a quantidade de pessoas e os “agarrões” na hora de nadar. Com um tempo total de 36m14s, sendo 16m13s nos 600 metros de natação da Camila e 20m01s nos 4km corridos por mim, nossa dupla terminou em 21º lugar entre 26. Um bom resultado e uma boa média para quem nunca tinha participado de nenhuma competição. Com uma média de cinco minutos por quilômetro, consegui o 16º melhor tempo entre os 26 corredores do revezamento, seja masculino, feminino e misto.

Na largada, a angústia por esperar o companheiro sair da água era enorme. Pior, quando você começa a ver outros competidores saindo e você preocupado com seu parceiro, pensando se está bem ou não. Ao vê-lo, um alívio imediato. Pois, são nos primeiros 200 metros que o corpo, ainda frio, começa a mostrar o quão cansado você ficará no fim da prova. Antes de completar o primeiro quilômetro, cruzei com a primeira pessoa no geral, Sandra Soldan, correndo com um fôlego que só tive nos primeiros 50 metros. Mas, a parte crítica foi a metade. Ao chegar aos dois quilômetos, já estafado, ainda imaginei que, o restante, seria mais doloroso, já que meu corpo (para quem não estava treinando), já estava prestes de seu limite. Não acha que é pouco, mesmo sabendo que para Sandra Soldan, é! (risos) Mas, para quem está na grande parcela da população que ainda está no sedentarismo, os quatro quilômetros corridos pareciam uma maratona (42.195km).

Ao avistar a chegada, o corpo parece que relaxa e você suspira, quando consegue, um pouco mais alividado. Mas, o duro foi ver, quando eu estava prestes a cruzar a linha, Sandra Soldan voltando a correr o percurso para seguir seu treinamento. Se para ela os quatro quilômetros eram pouco e voltava ao asfalto para seguir seu treinamento, eu levava a corrida a sério e, queria terminar para ter o orgulho de pegar minha medalha. Mas, fiquei sem, pois cheguei tarde e elas já tinham acabado. Porém, meu acalento é saber que irei receber depois.

Tiro, hoje mais do que ontem, o chapéu para quem consegue nadar, correr, pedalar e ainda abrir um sorriso no fim da prova e ter forças para levantar o troféu, porque a foto feita pela fotojornalista Nathália Félix de mim no fim da prova, não condiz com um atleta, muito menos de fim de semana.

RESULTADOS FINAIS DA COMPETIÇÃO

Individual Masculino:
Pedro Ari: 23m56s
Eduardo Vieira: 24m16s
Bruno Brand: 24m34s

Individual Feminino:
Sandra Soldan: 24m57s
Suely Baronto: 26m33s
Karen Krichanc: 26m48s

Revezamento masculino:
Bruno e Flávio: 25m42s

Revezamento feminino:
Catia e Jessika: 35m33s

Revezamento misto:
Marcel e karen: 29m46s

Giovani Pagotto e Camila Freitas: 36m14s



Fonte: http://jornal.ofluminense.com.br/editorias/esportes/niteroi-biathlon-cup-movimenta-o-domingo-pela-manha-dos-niteroienses

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  • monica

    UM DIA LINDO, UM LUGAR LINDO, E UMA PESSIMA ORGANIZACAO, PESSIMA ORGANIZACAO.

    ATÉ AGORA NAO SE ENCONTRA DISPONIVEL OS RESULTADOS DOS PARTICIPANTES, FORA ISSO, NAO CUMPRIRAM COM A INFRA ESTRUTURA BASICA DE UMA COMPETICAO DE BIATHLON E HOUVE DESCUMPRIMENTO AS REGARAS DA COMPETICAO POR PARTE DE ALGUNS PARTICIPANTES, E NAO EXISTIRAM PENALIDADES….FALTA DE RESPEITO C TDS PARTICIPANTES E DE COMPROMETIMENTO E DISCIPLINA…INFELIZMENTE FOI UM EVENTO MAL GERIDO.

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