Turbulência no ninho: Jereissati sai e Goldman fica como interino

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Turbulência no ninho: Jereissati sai e Goldman fica como interino

Tasso Jereissati e Aécio Neves: queda de braço pelo comando do partido, que decide dia 9 se rompe com o governo

Afastado da presidência do PSDB desde maio, quando foi acusado de pedir R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, em troca de favores, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) reassumiu o cargo nsta quinta-feira (9). Na sequência, o senador indicou o vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman, para assumir interinamente a presidência da legenda. 

O fato ocorre um dia após o presidente interino da legenda, senador Tasso Jereissati (CE), anunciar oficialmente a candidatura dele à presidência do partido. O PSDB é a terceira maior bancada do Senado, com 11 senadores, e a terceira maior da Câmara, com 46 deputados. 

Em um comunicado enviado a Jereissati, Aécio afirma que retoma o posto para “garantir a desejável isonomia entre os postulantes” na disputa pela presidência do PSDB. No documento, o senador mineiro informou ainda que Goldman, o mais antigo vice-presidente tucano irá conduzir o processo eleitoral, marcado para o dia 9 de dezembro, quando ocorrerá a convenção nacional do partido.

Ainda no comunicado, Aécio faz um agradecimento a Jereissati por ter aceitado assumir o partido interinamente. 

“Aproveito a oportunidade para agradecer-lhe por ter aceito minha indicação e assumido a presidência interina do PSDB nos últimos meses”.

Por diversas vezes no período à frente dos tucanos, Tasso Jereissati cobrou publicamente que Aécio renunciasse o comando do partido, o que não ocorreu.

Além de Jeressati, também está na disputa pela presidência do PSDB o governador de Goiás, Marconi Perillo. 

União – Na quarta-feira, o então presidente interino do PSDB lançou sua candidatura para o comando do partido com discurso de união da legenda e destacou que até a convenção partidária, prevista para o dia 9 dezembro, o partido decide se rompe  com o governo do presidente Michel Temer.

“Estou colocando meu nome não é para rachar, é para unir. Mas não adianta unir aqui e ficar distante do povo. Temos que ficar conectados com a população, que é tudo que um partido político precisa”.

Jereissati também enfatizou , na quarta-feira, que a saída dos ministros do PSDB do governo será definida até a convenção partidária.

“Vamos reconstruir a nossa conexão com a sociedade através das bases que sempre nos uniram: a política feita com decência e com ética, e a busca do desenvolvimento econômico no mesmo compasso do combate às desigualdades sociais”, concluiu.

Denúncia – Em junho, o senador Aécio Neves foi denunciado pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por corrupção passiva e obstrução de Justiça, acusado de receber R$ 2 milhões em propina do empresário Joesley Batista, com o qual foi gravado, em ação controlada pela Polícia Federal, em conversas suspeitas. Em delação premiada, o executivo assumiu o repasse ilegal.

O senador nega as acusações. Sua principal linha de defesa no processo é a de que a quantia que recebeu de Joesley foi um empréstimo pessoal, sendo uma operação sem nenhuma natureza ilegal.

No dia 17 de outubro, o plenário do Senado decidiu reverter a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) e suspendeu o afastamento parlamentar de Aécio, que havia sido imposto no dia 26 de setembro.

Com os votos de 44 senadores contra a manutenção das medidas cautelares e de 26 favoráveis, os parlamentares impediram o afastamento de Aécio, o seu recolhimento domiciliar noturno e reverteram a obrigação de entregar o passaporte.

Fonte: http://www.ofluminense.com.br