Uma experiência instável

41fk-capa-cultura-experiC3AAncia-91-166363
Uma experiência instável

‘Experiência 9+1’ é composta por trabalhos de vídeo, fotografia, gravura, instalação, pintura, e objeto

O Centro de Artes UFF, que está funcionando normalmente durante as férias, inaugura nesta quarta, às 19h, duas exposições. A primeira, que estará na Galeria, é a mostra coletiva “Experiência 9+1”, resultado do jogo curatorial proposto

pela curadora Pollyana Quintella, que mantém um grupo com artistas de todo o País desde 2016.

“Há quase dois anos, em 2016, escrevi um e-mail para Aline Besouro, Clara Machado e Bianca Madruga, convidando-as para um jogo-exposição com algumas regras estabelecidas por mim. Cada uma das três deveria convidar uma artista que eu não conhecia. Aline convidou Inês Nin, Clara convidou Anais Karenin, Bianca convidou Leticia Tandeta Tartarotti. Essas novas integrantes deveriam, por sua vez, convidar artistas que elas mesmas não conheciam, segundo critérios próprios. Com isso, chegaram Pedro Veneroso, Amanda Rocha e Ana Hortides. Formamos, assim, um grupo de 10 artistas, entre Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Belo Horizonte”, conta a curadora.

A exposição é composta por trabalhos de vídeo, fotografia, gravura, instalação, pintura, e objeto. Não existe um eixo conceitual que perpasse todos os trabalhos.

“Ao longo desses dois anos, nos aproximamos. Se a princípio havia interesse em certa descentralização curatorial, em busca de uma suposta contingência, o que percebi (e o que está para ser percebido também nessa exposição) é que as escolhas refletem afinidades poéticas e aproximações. É o caso, por exemplo, da delicadeza e fragilidade presentes na maioria dos trabalhos, o interesse pelo orgânico, pelo íntimo, pelas narrativas pessoais”, garante Pollyana.

Ana Hortides, uma das artistas convidadas, revela que a mostra foi uma oportunidade para reunir e conhecer trabalhos de amigos e parceiros.

“A proposta da exposição foi uma oportunidade de colocar os trabalhos juntos, uma vez que o projeto da Pollyana era juntar esse grupo de artistas pelo critério do jogo, onde um escolhia o outro, e assim, pudemos todos nos conhecer. Logo, o desejo de mostrar nossos trabalhos e processos era inerente ao grupo. Os trabalhos se complementam uns aos outros de uma forma surpreendente e muito bonita”, diz.

Os trabalhos da artista Leticia Tandeta Tartarotti, por exemplo, são 12 cartas escritas pela própria, onde se monta um calendário próprio de um tempo particular construído por imagens e registros do celular e alguns objetos.

“Há dois anos, estamos juntas nesse agrupamento  repleto de encantamentos, leis de atração e repulsa! Na minha percepção a mostra reflete exatamente isso”, conta Leticia.

Como veterana da UFF, a artista Ines Nin vê a “Experiência 9+1” como uma interessante e inusitada forma de retornar à Universidade.  

“Considero um momento importante para o 9+1, e também para todas nós, uma vez que é o quarto movimento que fazemos em conjunto. Representa, de certa forma, uma conclusão ou um ponto no curso do projeto. O espaço da UFF também possibilita uma contextualização interessante, creio, em Niterói e numa universidade. É também um lugar que dá margem para as obras se aproximarem de outros espaços, em trânsito, podendo gerar outras conversas entre elas”, diz.

Já a segunda mostra, presente no Espaço UFF de Fotografia, é a exposição fotográfica “Instabilidade”, na qual apresenta o trabalho de seis artistas visuais que trazem em comum a proposta de instabilidade nas imagens.

“A idéia da criação da mostra surgiu da necessidade de construir uma unidade em torno de artistas que trabalham com a idéia de conflito na arte. O nome da exposição vem da natureza intrínseca do Drama dentro do teatro grego. Sendo Drama originalmente conflito este para existir precisa de ‘Instabilidade’ para se configurar. Vemos isto da dramaturgia teatral e cinematográfica”, diz Marco.

De acordo com o curador, todos os artistas procuraram desestabilizar o senso comum, a fim de promover novas relações entre aparência e realidade.

“Os artistas possuem o drama como elemento construtor da imagem contemporânea. Cafi é um artista consagrado pela crítica fotográfica desde os anos 1970, Alexandre Dacosta e Pedro Paulo Domingues fizeram parte da geração 1980, com trabalhos críticos e ácidos. Já eu, Eduardo Mariz  e Luciano Mattos Bogado pertencemos à geração de artistas que surgiram no cenário a partir dos anos 1990.Todos eles têm em comum a fabricação de imagens perturbadoras”, explica o curador Marco Cavalcanti.

O Centro de Artes UFF fica na Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, em Niterói. De domingo a sexta, das 10h às 22h e sábado, de 13h às 22h. Entrada franca. Classificação: livre. Telefone: 3674-7515. Até 25 de fevereiro.

 

 

Fonte: http://www.ofluminense.com.br